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Há alguns dias o Supremo terminou com a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Esta é uma discussão antiga e interessante, pelo menos quando os argumentos não menosprezam nossa inteligência, como por exemplo, quando se referem à ética na profissão: já sabíamos que a ética era inerente e exclusiva daqueles indivíduos que acreditam em um livro mitológico escrito há menos de 2000 anos, mas agora foi revelado que não, que na verdade é o diploma de jornalista que garante a ética da informação. Eu considero senso comum que o diploma em jornalismo não seja necessário (muito menos suficiente) para a (boa) prática do jornalismo. Assim como não é necessário em outras áreas. Para ser advogado, por exemplo, bastaria passar na prova da OAB, independentemente da graduação feita. Para ser físico, que não é nem profissão regulamentada, não é necessário: ninguém apresenta seu diploma quando envia um artigo para o Phys. Rev. Lett., uma das revistas mais conceituadas. Basta fazer boa física.
É óbvio também que os (bons) cursos de jornalismos continuarão a existir, pois esta ainda é uma forma eficiente de adquirir uma boa formação. Já os cursos medíocres, que forneciam o diploma que a lei exigia, esses podem fechar. Mas ninguém vai notar. Mas vamos tentar deixar a discussão um pouco mais lógica e menos não-mexam-no-meu-mercado-de-trabalho. Considerem o argumento abaixo.
Vamos imaginar o seguinte Gedankenexperiment, ou experimento mental. Temos 100 pessoas, das quais 50 são formadas em veterinária enquanto que as outras 50 têm formação em outras áreas (todos mais ou menos do mesmo nivel cultural, tempo de experiência profissional, etc). Para descobrir quais são os veterinários, damos um porco para cada um e pedimos que retirem o apêndice (do porco) sem matá-lo. Substituam apêndice por algum órgão não essencial caso os porcos não tenham um. Alguns veterinários podem acabar matando o porco, podemos também ter algum serial killer experiente entre os não veterinários que acabe cumprindo a tarefa também. Mas teremos uma pequena margem de erro ao afirmar, baseados no resultado do teste, quais são os veterinários e quais não são. Ou seja, temos um teste de aptidão, baseado na experiência profissional, que nos diz quem são (ou serão) os bons profissionais da área. Como podemos aplicar um teste análogo para os profissionais do jornalismo? Que tipo de experimento análogo ao anterior, usando uma atividade da prática jornalística, podemos imaginar que permita identificar os que tem diploma em jornalismo? Lendo, digamos, os 100 blogs jornalísticos mais populares do país, é possível dizer quem tem diploma de jornalista e quem não tem?
Extrapolando um pouco mais o argumento, como ficam aquelas profissões para as quais não faz sentido em falar em treinamento técnico? Por exemplo, que tipo de diploma deve ter um homeopata? Que teste pode ser feito para distinguir o homeopata? Certamente não é usando a medicação, pois esta se sabe que não tem efeito diferente do placebo, e o único jeito de distinguir uma da outra é pela etiqueta. Claro, existem outras pseudociências, mas a homeopatia é reconhecida como especialidade médica. Mas este assunto merece uma discussão mais detalhada...
Há alguns dias o Supremo terminou com a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Esta é uma discussão antiga e interessante, pelo menos quando os argumentos não menosprezam nossa inteligência, como por exemplo, quando se referem à ética na profissão: já sabíamos que a ética era inerente e exclusiva daqueles indivíduos que acreditam em um livro mitológico escrito há menos de 2000 anos, mas agora foi revelado que não, que na verdade é o diploma de jornalista que garante a ética da informação. Eu considero senso comum que o diploma em jornalismo não seja necessário (muito menos suficiente) para a (boa) prática do jornalismo. Assim como não é necessário em outras áreas. Para ser advogado, por exemplo, bastaria passar na prova da OAB, independentemente da graduação feita. Para ser físico, que não é nem profissão regulamentada, não é necessário: ninguém apresenta seu diploma quando envia um artigo para o Phys. Rev. Lett., uma das revistas mais conceituadas. Basta fazer boa física.
É óbvio também que os (bons) cursos de jornalismos continuarão a existir, pois esta ainda é uma forma eficiente de adquirir uma boa formação. Já os cursos medíocres, que forneciam o diploma que a lei exigia, esses podem fechar. Mas ninguém vai notar. Mas vamos tentar deixar a discussão um pouco mais lógica e menos não-mexam-no-meu-mercado-de-trabalho. Considerem o argumento abaixo.
Vamos imaginar o seguinte Gedankenexperiment, ou experimento mental. Temos 100 pessoas, das quais 50 são formadas em veterinária enquanto que as outras 50 têm formação em outras áreas (todos mais ou menos do mesmo nivel cultural, tempo de experiência profissional, etc). Para descobrir quais são os veterinários, damos um porco para cada um e pedimos que retirem o apêndice (do porco) sem matá-lo. Substituam apêndice por algum órgão não essencial caso os porcos não tenham um. Alguns veterinários podem acabar matando o porco, podemos também ter algum serial killer experiente entre os não veterinários que acabe cumprindo a tarefa também. Mas teremos uma pequena margem de erro ao afirmar, baseados no resultado do teste, quais são os veterinários e quais não são. Ou seja, temos um teste de aptidão, baseado na experiência profissional, que nos diz quem são (ou serão) os bons profissionais da área. Como podemos aplicar um teste análogo para os profissionais do jornalismo? Que tipo de experimento análogo ao anterior, usando uma atividade da prática jornalística, podemos imaginar que permita identificar os que tem diploma em jornalismo? Lendo, digamos, os 100 blogs jornalísticos mais populares do país, é possível dizer quem tem diploma de jornalista e quem não tem?
Extrapolando um pouco mais o argumento, como ficam aquelas profissões para as quais não faz sentido em falar em treinamento técnico? Por exemplo, que tipo de diploma deve ter um homeopata? Que teste pode ser feito para distinguir o homeopata? Certamente não é usando a medicação, pois esta se sabe que não tem efeito diferente do placebo, e o único jeito de distinguir uma da outra é pela etiqueta. Claro, existem outras pseudociências, mas a homeopatia é reconhecida como especialidade médica. Mas este assunto merece uma discussão mais detalhada...


Ainda precisamos de etiquetas e seremos contratados por empresas conscientes ahah
ResponderExcluirRepudiando os ministros do STF, o jornalismo é um curso que tem muitas práticas, não só teorias!
O maior problema em toda essa questão do diploma consiste em: uma classe que em muitas décadas representou a "voz do povo", sofreu um golpe e foi ridicularizada. Muitas profissões nunca tiveram a obrigatoriedade do diploma para serem exercídas, mas o pior foi TER ESSA CONQUISTA por 40 anos e agora ser derrubada por apenas 8 juízes.
Ê Brasil...
Daiane Costa
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMerece discussão mesmo!
ResponderExcluirAcredito, caro Lucas, que acima de tudo um bom profissional não depende só de um diploma. Ética e o exercício de cidadania que nós estudantes praticamos ao longo do curso, deveria ser praticada por TODOS diariamente.
Ser ético independe da profissão. Escrever bem, concordo que não é mérito só de jornalistas formados, mas blogs são escritos com opiniões próprias.
Explico que o exercício do jornalismo (na sua função mais crua e objetiva) é informar em primeira mão. E depois opinar sobre.
Todos temos direito à liberdade de expressão, mas o dever de informar bem e utilizar os veículos de comunicação (jornal, rádio, tv, online e cinema) é função de jornalista. De preferência formado.
Como conversamos anteriormente, uma empresa gasta muito para treinar seus funcionários que não são formados.